Eu tô à mil...

E é exatamente por isso que torno a escrever, nada se encaixa e com tudo fora do lugar, me preocupo. As coisas sempre fogem do meu controle e logo depois disso, é um hábito meu recuar. Particularidades infinitas fazem parte do meu cotidiano, não conto como eu acordo porque não quero lembrar de como fui dormir, e todo esse desvio mental acaba sendo uma questão de lembrar, lembranças que não estão mais em condições de circular por aqui, por dentro e por fora, pra cima e pra baixo, todos os lados de mim. 
E o que me faz atravessar a rua olhando pros meus pés, é o sopro de intensidade que desce a garganta e faz minha voz falhar. Olhando pro poço sem fundo, eu me recuso à acreditar que me meti novamente com esses batimentos acelerados e esse cheiro fétido de amor à minha volta. Que os carros parassem mas eu não, que os navios afundassem mas eu não, que os aviões caíssem mas eu não. Uma tentativa de egoísmo frustrada por minha própria contradição.
O jeito como me faz girar me fez acreditar, eu não quero mais acreditar. Esses rasgos profundos na minha pele, não são cortes, são só feridas que cicatrizam com o tempo, mas o tempo não passa e eu me jogo num mar de ácido melodramático, esperando ser salva de alguma coisa, de um quê que não sai. Das palavras que me foram tiradas, dos gestos sem meu consentimento e a razão grudada em mim. E pra quem sempre viveu com a lógica parece difícil deixar de ser cetim […]

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