É dispensável o lampejo sobre você na minha mente, sei como começa mas não faço ideia de como termina, ou onde e porquê: nunca soube. Quase se torna mais que um lampejo todas as noites, as vezes me deixo levar pela emoção mas temo ir pra tão longe que não consiga voltar. Algo me diz que nem tudo é o que parece ser mas também me dizem o contrário. Encho uma banheira esperança e depois tudo se esvai, só fica o vazio enquanto a espuma desce pelo ralo. Procuro manter distância das janelas e dos portões mas não o suficiente, há sempre um ar poluído para atravessar as grades e ultrapassar as janelas, passa pela minha boca e chega aos meus pulmões como uma névoa de filme, aqui dentro eu não enxergo nada. Me desdobro na intenção de compreender e falho, imediatamente e repetidas vezes, incontáveis. Permaneço na cama por dias com cobertores por toda parte, como se estivesse (e me sentisse) doente, não o culpo. Essa é a maneira mais delicada e grave que encontrei de dizer que você me faz mal, e isso é tudo que me dou a luxo de sentir de tão longe, por tanto tempo.

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