Tão desacreditada que nem sinto.
Se eu te dissesse que não queria ter tanta coisa na cabeça assim você provavelmente não acreditaria. Você pensa e me confessa em silêncio que todas as noites gostaria de ser problemático como eu, como um vaso que você jogou na parede na hora da raiva, e quando a raiva se aquietou no canto dela o vaso não se consertou sozinho, mesmo você pedindo desculpa imensamente arrependido. Eu te digo que tenho muito mais coisa na cabeça do que você imagina, e você não duvida, não é cético como eu e isso me faz querer ficar um pouco mais perto, só um pouco. Mas tudo que você vê na primeira impressão que tem de mim, não enxerga de verdade. Suas lentes estão sujas e você acordou ruim essa manhã, não te culpo. Você me promete ir ao médico e fica brincando de procrastinar comigo, mas eu não sou o balanço que tem perto da sua casa e que você pode ficar sentado e quase voar até perder a hora. Você não enxerga bem e diz que os problemas são todos comigo, talvez a maioria seja. Compartilho minhas outras vidas e identidades secretas e você incrédulo não vê, não vê que eu não sou aquela que se solta depois de “umas e outras” ou com o tempo, convivência e intimidade vai mudar bruscamente contigo, não vai… Não vou. Perdi muitas noites tentando te alcançar, te encontrar e depois foi que não enxerguei, que você não saiu do lugar mas não porque não sabia voar, mas porque não quis nem tentar.
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