Eu tinha alguém e alguém me tinha.

Era assim que eu caminhava por entre as brechas do meu rumo, o rumo que eu estava tomando sem ninguém precisar me ensinar escrevendo numa lousa ou listando passo à passo o que vinha pela frente. Quando eu o via e percebia que não eram os óculos que estavam embaçados tentava não transparecer aquela lágrima que estragaria tudo, no fim das contas. Provavelmente seria uma estatística bastante citada nos meus desabafos mentais e individuais. E aquele bolo na garganta que eu ficava guardando e deixando tomar conta de mim e do meu espírito frágil e cansado de diferir as mesmas palavras e torna-las um tormento pra quem as ouve, eu não queria isso pra mim. Cada afago ou tentativa frustrada de demonstrar afeição foi notada, apenas não sabia como prosseguir e pensava sempre nas consequências, algo que nunca saiu de mim. As pequenas causas que protejo agora de nada adiantaram, eu vi o fim acontecer. O silêncio arruinar todo o resto construído com muito esforço, sem tempo pra neuras ou coisa do gênero. Crio teorias e não ajo em torno delas, eu me sufoco com tantas reflexões e minha mente de repente é um antro de palavras sem nexo que levam à outras e falta ar, eu não consigo respirar. Estou sempre pirando e arrumando um modo de destruir e achar sinônimos que me caibam pra eu não ficar tão repetitiva, em vão. Talvez eu seja um pouco egoísta quando não devia, o momento acontecia e eu ali, pensando em como proceder e arranjando loucuras mirabolantes pra me internar de vez num quarto escuro, depois que essa hora acabar.

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