Eu nunca paro.
Minha cabeça vem fervendo há meses e eu nunca paro. Uma vez ouvi dizer que quando se tem um martelo tudo se parece com um prego, acho que é isso mesmo. Nós vemos o que queremos ver mesmo quando a verdade está tão explícita que dói se olhar de perto. Isso acontece quando me aproximo demais, uma guilhotina imaginária corta meu barato e me tira das ilusões mas elas já me traíram, não existe mais tempo pra fugir. Os corpos suados que passam por mim com respirações ofegantes me lembram que eu não devia estar aqui, eu não devia parar, sentar e escrever como se o mundo não fosse explodir lá fora agora mesmo. Eu tento me calar mas os ecos do meu medo vazam por todos os lados, a caverna não tem poros e eu me sinto mais segura. Eu tento resolver todas as coisas de cabeça, mas nunca fui boa em matemática e não vai ser usando a técnica dos gênios nessa matéria que eu vou ser. A gente acontecia enquanto você pegava minha mão, naquela escuridão. Os estranhos passavam e pareciam estrelas de tão distantes. Não foi uma comparação infeliz, alguns são como estrelas e parecem ter uma dentro de si, eu nem sequer caibo dentro do meu próprio corpo.

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