Eu sei, eu sei que tem alguma coisa presa na minha cabeça enquanto eu olho pro teto e encaro a porta escancarada com o mínimo de esperança que você entre por ela. Um buraco nasceu aqui enquanto você dormia e esquecia. Quando você viajava pra longe eu me acabava tentando entender o que tinha acontecido, e a insônia dos diabos que me acompanha desde sempre não ajuda, eu só sei sonhar acordada. Se eu fosse um pouco mais corajosa e destemida como as mulheres dos livros que eu admiro, eu já tinha dado um jeito nisso e te puxado pra mim assim, sem explicação mesmo… Bem do jeito que você se foi. Eu escondo de todos os jeitos que posso mas teu cheiro me acompanha e tua voz é aquela que eu reconheceria à quilômetros, eu não sei bem o que eu sou mas quero que você saiba que eu sei quem eu quero ser, eu só estou muito longe disso ainda. Engolindo minhas palavras de propósito eu me perco, e te perco porque você não sabe interpretar leitura labial ou fazer telepatia, eu sei bem no fundo que o que eu peço é duro e difícil, mas eu ainda queria que você tentasse.

Eu sempre me perco no caminho de volta. 

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