E ao me levantar da cama completamente desconfortável, eu me dou conta de que hoje é o dia seguinte, o dia depois da mudança… O dia após sua partida. Demora bastante pra “cair a ficha”, mas quando cai não tem volta. Depois de um tempo mesmo não querendo, eu me acostumei com a sua ausência, mesmo sentindo falta eu não te procuro. E não importa muito de quem é a culpa, mas nós dois sabemos que contribuímos pra isso acontecer. Enfim, eu demorei mas percebi, vi que não sou bem-vinda e todas essas coisas que a gente tem que saber mesmo que por acaso, pra se afastar e não olhar pra trás. Se afastar é tão difícil quanto deixar ir, assim por livre e espontânea vontade. Estou dividida demais porém eu sei o que é melhor pra mim, acho que estou tomando o rumo certo como dizem por aí “me desejem sorte”. No começo eu queria acreditar que você chegaria antes do final, que estaria do meu lado quando tudo acabasse, “metade deu certo” e tudo acabou mas você se foi e não voltou, metade chora agora. Quem sabe vai ser mais fácil do que eu penso e me dizem que estou sendo pessimista, que só vejo o lado ruim das coisas. Mas eu cansei de dar essa resposta e agora o tempo se encarrega de levar pra mim, essa dor que vem existindo e sobrevivendo a qualquer custo. Eu parei naquela rua e retrocedi tudo na minha mente, se passou como um filme que eu não quero voltar a ver. Precisei de consolos e de conselhos mais ainda, só que agora eu sou mais forte que isso, como deveria ter sido desde o começo. Eu não fui treinada pra bater de frente com essas dores que costumam nos derrubar, ninguém foi. “É uma longa história”, eu costumo dizer pra ninguém perceber que eu não quero contar e me lembrar e voltar a estaca a zero. Pro meu próprio bem, ninguém precisa saber dessas dores que vão e vem. Me disseram que é sempre assim, que se eu não souber controlar, vai tomar conta de mim. Não posso ser fraca com isso com você que já se foi e ainda faz um efeito enorme em mim. Não sei lidar com essa coisa de esperar e de vez em quando quase esquecer. “Não tem como mudar de assunto?” Eu me antecipo antes que comecem com os interrogatórios e cada um comece a contar sua “tragédia grega”, aquelas histórias que costumam ser as piores de suas vidas, as mais difíceis de esquecer. Eu nem sei o que dói mais: sair por aí sem rumo, ficar com pessoas sem nome e voltar com o coração vazio… Ou conhecer, se relacionar e encontrar na rua e não saber o que dizer, e saber disfarçar pra não chorar e esperar até chegar em casa pra chorar lá, do mesmo jeito acabar por chorar. Não costumo dizer que nos finais de semana passo os dois dias todos pensando nisso, até chegar a noite e começar tudo de novo. Na semana algo mais me impede de pensar muito nisso, me distrair parece ser mais fácil e rir se tornou um hábito, como forma de camuflagem. Mas chega os fins de semana e pronto, digamos que estou sem vida e procuro não pensar nisso ou naquilo outro, mas é fato que eu vou pensar e no resto dos dias eu me acabo por sonhar com um dia melhor, um dia após o outro não serve pra mim, mas eu tento fazer disso só mais uma das frases de “consolo”, porque me encher de esperanças e mergulhar em tristeza só me deixa pior. Eu só não posso enganar à alguém que eu conheço muito bem por uns dias e nos outros já não é a mesma coisa. À mim mesma e aos outros, que sirva de lição pra mim.
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Comentários
Postar um comentário