Hoje é uma noite chuvosa, quase todos os dias tem sido mas… Foi hoje que eu acordei sem dormir, é só uma metáfora. Hoje eu acordei pra outros pensamentos, finalmente eu acordei mas o difícil é me levantar, eu tenho vontade de ficar no silêncio do meu quarto o dia todo, tenho receio do mundo lá fora, do que pode me atingir. Eu tento olhar e pro céu e fazer uma promessa, uma que eu seja capaz de cumprir, dizendo que eu preciso parar de ser assim, parar de confiar em alguém logo que conheço. As pessoas ao meu redor dizem que é estranho mas eu não acho, eu sou assim desde que me entendo por gente, é difícil mudar e além do mais, tenho medo do vou me tornar. O que está por vir? Dia após dia eu tento criar coragem mas enrolo a mim mesma, é tão fora do normal. Esses jogos, a vida fazendo eu ver quem as pessoas realmente são, do que elas são capazes. Me fazendo mudar a direção que eu estava seguindo, a que era certa pra mim ou talvez não… Eu nunca vou saber mesmo. Só me vejo esbarrando com cada coisa que eu perdi, me fazendo lembrar o que eu nunca consegui de fato, esquecer… Mas eu tentava, eu tentei. Imagine uma pessoa mudar completamente sua rotina, troca-la por outra, é mais difícil do se pensa. Eu me pegava olhando os quadros da minha “nova casa”, nova cidade e como dizem por aí: “Nova vida”. Mas eu não pensava nisso com empolgação, pelo contrário: eu me vi jogando minha felicidade pela janela, vi ela se espatifar no chão sem conserto, por um ano. Faz pouco mais de um mês que passou de um ano pra um ano e um mês, e cada vez que isso acontece, mais eu me vejo afundando. Eu olho pra trás e tento ver como foi que eu consegui passar o ano assim, conheci novas pessoas, novos lugares, novos ares… Mas quando tudo isso começou eu não precisava disso, passei à precisar agora que estou aqui, parece que vai se passar mais um ano e nada eu vou poder fazer. Eu fico em dúvida, às vezes eu mesma acho que estou fazendo drama mas logo esse pensamento vai embora, eu lembro das pessoas que eu deixei, quando eu pedia pra não me deixarem… Não foi falta de consideração da minha parte, eu me sinto culpada, eu não queria isso, eu não queria que as coisas estivessem mudado tão bruscamente de um jeito que agora, eu me encontro aqui. Dói só de imaginar mas eu imagino as pessoas que eu perdi aqui, será que elas me imaginam lá? Eu sempre quis fazer só o que faziam por mim, mas não sei ser assim. É estranho porque só quando eu quebro a cara que eu “aprendo a lição”, é um choque de realidade; Eu não sei me virar sozinha, era um choque atrás do outro. Meu Deus eu tinha que parar com essa coisa de “pensar”. Mas eu ia deitar mais cedo justamente pra isso, pra ter tempo pra pensar. Aliás tempo era o que eu mais tinha desde que me tiraram as pessoas, com quem eu passava o tempo. Eu li uma vez que é perda de tempo esperar o tempo passar, eu precisei de uma frase de efeito pra me ligar. Ninguém entendia mas eu me sentia sozinha, solitária mesmo. Era um mal que ninguém dava jeito, e quem dava não estava nem aí. É esquisito porque a vida implicava comigo e nunca estrávamos num consenso. De hoje em diante eu tentava evitar pessoas entrando e saindo da minha vida, principalmente entrando porque se não entrar não vai embora, não corro o risco de me magoar mais uma vez, e mais uma outra e mais outra… Era um poço sem fim, do qual eu era somente a sombra. Eu sempre me apoiei nos livros, eles nunca me deixavam na mão. Eu era louca pra ter uma animal de estimação, mas todos que eu gostava tinham pelos, e eu sou alérgica. Eram essas pequenas coisas que me frustavam, pelo menos a poeira que estava em cima dos livros eu podia tirar. É muito confuso isso tudo, é tão sem nexo. Eu nunca sei como terminar o que eu comecei, deve ser um mal ou um dom, sei lá. É realmente decepcionante, eu que tinha manias e uma delas era fazer várias coisas ao mesmo tempo, mas quando me atrapalhava o tempo fechava, eu sou assim mesmo… Sempre fui meio que incomodada com quem tenta se aproximar, e houve uma vez em que eu machuquei alguém mas ele se fez de forte, ainda bem que ele seguiu em frente e eu lidei com a verdade, só fiz o certo: fiz ele lidar também. Eu me abalava fácil, até hoje me abalo. Por coisas tão banais, chega a ser patético mas eu não consigo evitar, muito menos controlar, é mais forte do que eu. Eu já estava há um tempo sem dar sinais de recaída, estava bem e aí uma discussão acaba com tudo que eu construí e que demorou tanto, eu senti raiva de mim mesma. Não sei o que me deu, eu ainda estou aqui e o sono não chega logo. Ainda chove, agora de madrugada eu fico remoendo o passado, geralmente é nessa hora que eu consigo piorar as coisas. Eu apenas acho que sei o que é melhor pra mim, digo isso não tendo certeza mesmo. Talvez seja porque eu esteja tão errada que estou sentindo tanto, tudo. E ainda sinto muito pelo resto.
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