Na manhã do primeiro dia de fevereiro, eu entristeci, entristeci de um jeito que você não tem ideia. Porque eu estava todo esse tempo à tua espera, mas já sabia que não viria. Eu caminhei longos dias pra chegar até aqui, foi cansativo demais pensar pra que lado seguir toda vez que eu via que uma curva aparecia. Eu caminhei e pensei, eu tinha tanta coisa na cabeça que até me esqueci do resto. Eu caminhei e logo tive vontade de correr dali... Havia um lago que eu sempre observava, mas como naquela manhã nada foi igual, eu não observei e passei direto por ele. "É uma bela maneira de começar o dia" pensei comigo mesma, mudando tudo que eu fazia, mas que eu gostava. É, um dia me desiludiram de uma maneira tão cruel que eu nunca tinha parado pra pensar, mesmo que seja a coisa mais tola do mundo, na minha cabeça não é assim. "A gente não faz só o que gosta..." Mas é claro que não, mas eu nunca havia prestado atenção nessa frase com tanta clareza como naquele dia. Eu lembro de pensar que eu queria guardar aquele dia pra mim e mais ninguém, queria olhar e olhar de novo, mas não dá. Queria guardar aquele sonho que eu tinha, dentro de uma caixinha na qual era muito especial pra mim. Tudo eu ganhava, ia pra lá. Mas isso é diferente, isso eu não posso guardar só pra mim, muito menos pra sempre. Eu me iludi e me desiludi sozinha, solitária e com preguiça de mim mesma e das minhas coisas, de resolver elas, de dar um basta ou não, de aprender a dizer isso, a não guardar aquilo, e tudo mais que a gente tem que aprender um dia. Todas as canções que eu ouvi naquele dia, foram acolhedoras mas não calmas, era só porque eu gostava delas de um jeito ou de outro, eu gostava de ouvi-las. Houve um tempo em que eu as escutava à qualquer hora do dia, seja qual fosse o meu humor, mas naquele dia não. Dizem que eu sou "estragada emocionalmente" E sabe, eu acredito, eu juro que acredito, nem tem como não acreditar. Quem me vê pela primeira vez pensa "Essa é a mais tola que eu já vi". O que eu não sei, é se eles mudam de opinião quando me conhecem, se me conhecem, as vezes eu não dou chance pra isso, e não gosto dos motivos, não gosto de dizer pra ninguém, nem admitir pra mim mesma. Não gosto de me olhar no espelho e me sentir assim, acuada e retraída como se fosse um bicho que não sabe mais voltar pro seu habitat natural. Muitas vezes eu sou o contrário, há dias em que não sou eu ali, não sou eu naquele corpo que me vêem, mas ninguém enxerga isso, ninguém vê que eu não sou assim, mas que me importa...Eu acho que não quero mesmo que vejam e descubram, e levem o maior susto de suas vidas, a talvez surtem com tantas loucuras inebriantes e muitas vezes tediosas.Tal como me vejo obrigada a não me mostrar pra ninguém, até porque eu nem me lembro de como eu era antes e não sei como voltar a ser. Talvez um dia eu volte. Talvez eu consiga olhar pra aquele lago e sorrir, para aquela caixinha tão pequena e frágil e me colocar lá dentro, talvez eu consiga ouvir as mesmas canções à qualquer hora do dia outra vez. Mas só talvez [...]

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