Meu par de asas.

Eu só quero que saiba, que eu sempre vou amar o seu sorriso mesmo nunca o tendo visto, tenho a impressão de que ele é perfeito. Eu sempre vou gostar desse seu jeito crianção, infantil que só uma criança adulta consegue ser. Sempre vou me lembrar de ti, quando me disserem que conheceram alguém ciumento e tão palhaço, eu vou pensar que é você. Vou me lembrar do jeito que me fazia rir a madrugada toda com as piadas mais sem graça que eu já vi, e sinceramente só você conseguiu me fazer rir com elas, porque eu te imaginava contado-as pra mim, olhando nos meus olhos, todas as vezes. E quando você ia viajar, ficava mais longe ainda de mim, eu me sentia só, principalmente porque você não estava ali. Mas quando eu lembrava que você disse que voltava, que foi só por uns dias e ia dar sempre um jeitinho de falar comigo todos os dias, eu ficava mais aliviada, sempre. Mas não era a mesma coisa, nunca é. Eu procurava não cobrar muito, mas acabava cobrando demais pra alguém que nunca passou por isso, eu te entendia quando você dizia não me entender. E eu fico imaginando aqui, mil e uma coisas. Você provavelmente apagou todas as nossas conversas, mas eu ainda não tive essa coragem. Veja que pretensão a minha, ainda, a-i-n-d-a. Como se alguma parte de mim quisesse mesmo deletar a minha rotina, de uma só vez. E não tem nenhuma pessoa no mundo que conte as melhores piadas sem graça que você, não tem mesmo, eu sempre me lembro disso, mas é involuntário. Antes eu não dizia como era a sensação de estar contigo, mas é porque não saía. É só que, era perfeito demais pra descrever [...] Mas a sua falta? Essa não tem nada de perfeita, aliás passou longe disso meu bem. Eu fico tentando adivinhar quem é a pessoa que você está conversando agora, nesse exato momento, às 23 horas e trinta e nove minutos. Você costumava chegar mais ou menos essa hora ou mais cedo. Eu me lembro bem porque ficava te esperando, e demorava no banho de propósito as vezes, só pra você ir reclamar, pra colocar a culpa de passar menos tempo comigo em mim, mas era bom porque assim eu tinha assunto com você. Lembro nitidamente da primeira vez desse ano que você foi me pedir desculpas meio que "do nada", depois de tanto tempo sem nos falarmos você simplesmente chega e diz: "Feliz ano novo, bebê", se eu eu soubesse que estaria contando isso tão detalhadamente hoje, teria ficado sem chão na hora. Eu pensei tanto antes de te dizer aquele monte de coisas, pensei demais mesmo, até pedi conselhos. Eu não sabia que era um "Adeus", acho que eu não teria dito nada se soubesse que você ficaria sem fala ou melhor preferisse não falar nada. E hoje eu vivo nessa tristeza agonizante e constante, pela primeira vez na minha vida alguma coisa é constante. Me desculpa se por minha culpa nós dois estamos sem rir como antes, como dois loucos e bobos agindo naturalmente. Me desculpa se eu roubei tuas noites alegres e perdi meu professor de física, eu não queria. E me desculpa se agora o ar falta nos meus pulmões por minha causa. Me desculpa se eu estou tendo uma tentativa frustrada de tentar te decifrar, mas eu queria que você viesse, eu juro. E se eu ainda não falei teu nome aqui ou em nenhum outro relato dessas nossas idas e vindas, foi porque não senti necessidade disso, mas tenho certeza de que se você estivesse lendo isso aqui, saberia na hora de quem eu estou falando. Ainda bem que ao menos uma coisa certa eu fiz dessa vez, não criei diálogos imaginários de nós dois com situações surreais e tudo mais. Porém se eu ainda não fiz isso, pelo menos não corro o risco da expectativa ser maior, da decepção ser mais dolorosa. E mesmo que eu nunca sequer cogite a possibilidade de estar errada. Só eu quem está sentindo a tua falta e foi só eu quem perdeu aqui.

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