Eu não acho que dizer adeus é uma coisa boa, mas não tem problema se você não concordar comigo. Eu mesma não concordo comigo às vezes. Lhe juro que se você concordasse ficaria surpresa e de olhos arregalados (é como eu sempre fico quando levo um susto). Sim, um susto. A gente nunca concordou não é? Porque concordaríamos agora? Eu sei que você já está acostumado com isso, ir embora, pra longe, de vez. Mas eu não, e agora como faz? Eu não te contei, mas nunca aprendi a dizer adeus, a deixar as pessoas irem, talvez sem passagem de volta. Quando eu falei em concordarmos, eu aposto como você lembrou do oposto disso, era só o que fazíamos a um tempo atrás. Sei que você lembra do quanto somos “incompatíveis” mas mesmo assim tentamos, e não deu certo. O problema é que tentamos, mas porque provavelmente nenhum de nós sabia no que poderia dar, e só depois fomos perceber que não tínhamos nada a ver. Grande mentira não acha? Nós ainda temos muito a ver, implicávamos um com o outro primeiro por não concordarmos mesmo, depois por birra e agora estamos aqui. Ou seja, eu aqui e você ali, do outro lado do mundo quem sabe, porque eu não tenho a menor ideia de onde você possa estar agora. Eu sei que parte da culpa é minha, por acreditar que você poderia mesmo mudar. E depois disso, de você conseguir o que queria, o meu perdão ou talvez você quisesse outra coisa que eu não consigo imaginar o que seja, você estragou tudo, isso mesmo, t-u-d-o. Como consegue? Você mesmo disse que tudo ia ser diferente e jurou de pés juntos isso pra mim, só com palavras. Tá aí, palavras: meu ponto fraco, principalmente as suas. E agora eu fico aqui me lamentando e “chorando o leite derramado” e todas essas expressões que a gente costuma usar quando está extremamente magoada, decepcionada, despedaçada. E bem, até hoje eu ainda não vi o que você ganhou com isso, ou você cogita que isso é bom pra mim?! Mesmo eu tendo prometido que só ia perdoar daquela vez, e como eu disse: foi a ultima. Então porque eu que quase imploro pra você voltar?! Você só está fazendo o que eu pedi […] Sabe o que eu queria? Que você não fosse você, sei lá que você viesse reencarnado em outra pessoa, mas não, isso não daria certo. Sabe porquê? Eu só consigo imaginar você com o seu jeito, não consigo ver outra pessoa bancando o ciumento, brincalhão, palhaço, espontâneo e irônico e tendo todas as suas outras qualidades, que aliás são muitas. E quando te perdoei eu não pensei nos seus defeitos, principalmente naquele de: “ter o dom de repetir o erro zilhões de vezes”. Sim, foi modo de falar, você me conhece e sabe como eu sou exagerada, intensa, extremamente dramática o que só fez isso ficar maior e mais difícil. Lembro que você é o único que não entende minhas ironias, ou finge não entender, e finge tão bem. E lhe juro que achei que essa história de “fingir” fosse só pra isso, pra me fazer rir, como você sempre faz. Fingindo não me entender era só pra brincadeiras, mas acabou ficando sério demais e nenhum de nós percebeu à tempo. Foi só no final, quando eu disse adeus para as suas fotos, seus recados, seus textos com um coração no final. Mas como eu lhe disse no começo, não sei deixar as pessoas irem embora, então elas simplesmente vão, já que eu fico sem palavras. Ainda não consegui te apagar da minha memória, não te deletei das minhas redes sociais e quando vejo que você está lá dói, dói porque você está lá e não vai falar comigo, me dar uma explicação, ou ao menos um “oi” que seja, não vai. Eu também não vou falar com você se antes você não falar comigo, sabe disso. E assim nós ficamos nisso: eu sentindo a tua falta, imaginando se você está sentindo a minha. Querendo dormir o dia inteiro e revendo conversas que não tive coragem, nem audácia de apagar. Revendo diálogos que só me fazem mal, mas que mesmo assim não apaguei. Coragem veio e foi embora, foi de propósito, e a deixei ir. Mas ninguém entenderia, então eu guardei pra mim.
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