Hoje eu estava sentada na varanda da minha casa, o céu límpido e azul como tem sido durante todo o tempo, sem nenhuma nuvem sequer, pra eu imaginar aquelas formas malucas de nuvens e ficar sorrindo à toa, pro nada. Eu procurava coisas pra fazer e ocupar a mente, pra não pensar em você, nem dar espaço pra você aparecer assim do nada, nos meus pensamentos mais felizes. Mas não adiantou muito, eu pensei e repensei em você. Fiquei remoendo as feridas que você deixou pra trás, e que agora são cicatrizes. O fim da tarde estava chegando, a rua estava calma e deserta, exceto por você, que na minha mente se materializava na minha frente, e eu não podia fazer nada. Parecia um sonho, mas como eu não podia fazer nada, tava mais pra pesadelo. Sabe, essa sensação de impotência me paralisa demais, me petrifica de uma forma que eu não sei explicar, e é só quando você está perto que isso acontece. A minha vontade era de correr pros teus braços e não te soltar nunca mais, porém como tudo que é bom dura pouco, eu acordei. — Como pude dormir sentada?! Eu pensei. E deixei pra lá, afinal foi só um sonho, ninguém me viu e eu não vi ninguém. Eu ficava pensando e me fitando no espelho, me perguntando como eu estou aqui, e não aí, contigo. Quando eu despertei daquele sonho, quis voltar mas me parecia louco demais querer voltar num sonho. Estava sozinha naquela imensidão de casa, que me dava medo à noite […] Eu não tenho medo do escuro, mas tenho medo de casas grandes, você sempre ria disso e me dizia que eu era uma tolinha. Me vi ali já olhando o guarda-roupas e em cima dele havia uma caixa com todas as fotos, embalagens de bombons com mensagens de amor que eu costumava acreditar, cartas e cartões postais, você sabe que eu gosto tanto de cartões postais. Eu sempre te pedia pra trazer pra mim, das suas viagens inesperadas e num piscar de olhos você já estava aqui de novo, me abraçando. Mas hoje não, hoje você não veio. Não porque o avião atrasou, nem porque o carro enguiçou, mas porque não deu certo entre nós e agora provavelmente você manda os lindos cartões postais pra outra pessoa. Me lembrei que tinha que ir dormir cedo, mas olha a hora, não é mais cedo. Você não sabe, mas eu tinha decidido mudar, não por ti, mas por mim mesma. Ia começar com “indo dormir cedo”, dormir tarde era uma mania minha que você odiava e reclamava sempre, mas com ela ainda se lembrava de mim. E eu lembro agora, do seu sorriso torto e de lado dizendo “eu te falei”, um sorriso convencido, mas um sorriso que eu amo e que só você tem. Fui dormir com esses pensamentos mas vi que a janela estava aberta e que entrava muito vento, isso me incomodava. E quando eu fui fechar a janela vi seu reflexo no vidro, atrás de mim. Quase morri, meu coração bateu rápido demais, minha respiração foi ficando ofegante, você me pegou no colo e fechou a janela pra mim, e eu fiquei ali sorrindo feliz olhando seus lindos olhos castanhos e seu cabelo que eu adoro fazer cafuné, e você sempre costumava reclamar porque o bagunçava todo. Mas hoje não, não reclamou. Eu também não reclamei quando você bagunçou minha vida, meu coração. Você deixou, eu deixei e isso não é um sonho, não mais. Porque no final, é comigo que você fica.
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