O tempo que não clareou as minhas ideias e agora quer vim com tudo pra cima de mim, porque me viu sem escudo, sem proteção. Ele me metralhou, e foi embora com as minhas esperanças, levou consigo minhas dores e logo em seguida me trouxe piores. Grudou em mim como um carrapato, não me deixava esquecer que ele existia e fazia questão de me mostrar seu tic-tac tic-tac tic-tac. O tempo é rancoroso assim como eu, mas não faz nada a respeito porque ele diferente de mim, resolve uns problemas mas também trás outros à tona. Eu que nem queria voltar aqui, eu que posso me chamar de masoquista por continuar a fazer, uma coisa que nenhum bem me faz. Abandonar seria mais que uma opção, seria uma precisão. Mas eu nunca consigo fazer o que preciso, e isso destrói todo o resto. Eu acordo e me dizem que eu morro no final da história, o conto de fadas não é meu e eu não vou ser feliz pra sempre, como eles contam por aí. Eu descubro que nada é do jeito que a gente quer, tarde demais. O sopro que levaria pra longe, me derrubou e tudo que não era pra acontecer, aconteceu. E deu tudo errado, eu me avisei pra não fazer planos nem criar expectativas, porque elas nos dilaceram quando menos esperamos... E é quando menos esperamos que as coisas ruins acontecem, pra explicar as coisas boas que vem depois, depois de muito tempo e de muito bater a cabeça na parede, muito murro em ponta de faca. Depois de muitos erros e muito tempo perdido, a gente recupera alguma coisa que não sabe o nome, nem de onde vem nem pra onde vai, eu fico triste mas continuo. Me observe cair e continuar, me observe à ver navios e me frustrar, me observe sem sentir, sem me doar. Me observe e aprenda como não terminar o que começou. Me observe e veja como não prosseguir, me observe e me veja ir. Me observe indo, pois já morri na sua vida mesmo, não faz diferença. Me deixe ir, porque eu já fui e aquela que você vê agora e deixou mesmo ir, não pretende voltar.
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