Na verdade tem sempre uma alma perdida procurando um lugar pra vagar enquanto não encontra a paz. Tem sempre uma alma desnorteada procurando um caminho em meio ao silêncio. Tem sempre um que arranja motivos pra terminar a noite falando demais de alguma coisa e dorme pensando nisso. Acorda meio indisposta, sai pra dar um passeio mas quase não adianta, a indisposição está dentro. Olhar as paisagens não suficiente, acreditar não é um bom motivo agora, me frustrar acaba sendo um medo constante. Acabo não saindo e fazendo um café e sendo chamado de “jovem idoso” por isso, não se incomoda e desperta só com um banho, como se fosse uma ressaca, mas uma ressaca daquelas de cansaço, de cair dura e estirada na cama querendo dormir um dia inteiro, não atender as ligações e deixar um pouco de lado as obrigações e as cobranças que lhe fazem durante a semana. Fecha a janela, não deixando o sol entrar, tranca a porta e engole a chave pra não ter uma surpresa como alguém chegar dizendo que você está perdendo o dia lindo que está lá fora, e se sentir culpado por não estar lá, aproveitando alguma coisa desse dia. Dentro de casa é uma toca, me escondo do mundo e não adianta muito, eles me acham. Parece até perseguição, mas uma perseguição precisa, como se alguém te dissesse “você precisa superar isso” e preciso mesmo, mas não é fácil e como eu sou orgulhosa nata, não aceito a ajuda de ninguém e acabo por me fechar em mim mesma, sem ter como sair por vergonha, pra não admitir que talvez seja tarde demais, pra não ter que dizer “você estava certo, o tempo todo e eu não dei ouvidos”. Nunca é tarde demais pra felicidade bater na sua porta, é só raro então… Você já sabe o que fazer. 

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